Marciele Ochozki

Dinheiro

Como separar o dinheiro da empresa do dinheiro pessoal (sem complicação)

O cliente paga no Pix, o dinheiro cai na sua conta, e no mesmo dia sai dali o mercado, a conta de luz de casa e o fornecedor. No fim do mês, vem a pergunta que tira o sono de muita empreendedora: a empresa deu lucro ou não?

Se você se reconheceu, saiba que não está sozinha. Misturar o dinheiro da empresa com o pessoal é o erro mais comum de quem empreende, e eu também já cometi. A boa notícia é que dá para resolver com poucos passos, sem planilha complicada e sem precisar entender de contabilidade.

Por que misturar as contas atrapalha tanto

Quando tudo cai na mesma conta, o dinheiro parece estar sempre ali, até o dia em que não está. Os problemas aparecem em três lugares:

  • Você não sabe se tem lucro. Sem separar, é impossível saber quanto a empresa ganhou e quanto você gastou com a sua vida.
  • O preço fica errado. Se você não enxerga os custos reais da empresa, acaba cobrando menos do que deveria.
  • Falta dinheiro na hora errada. Quando a conta de casa leva o dinheiro do fornecedor, o caixa aperta justamente quando a empresa mais precisa.

Como separar em 5 passos

  1. Abra uma conta só da empresa. Se você tem CNPJ, abra uma conta PJ; muitos bancos digitais têm opções sem mensalidade. Toda venda entra nela e toda despesa da empresa sai dela.
  2. Direcione todos os recebimentos para essa conta. Pix, maquininha, boleto e marketplace: troque os dados de recebimento para a conta da empresa.
  3. Defina o seu salário. Escolha um valor fixo por mês e transfira sempre na mesma data para a sua conta pessoal. Esse é o pró-labore.
  4. Pare de pagar contas de casa com o dinheiro da empresa. Se o dinheiro não está dando, o caminho é aumentar o pró-labore de forma planejada, não tirar do caixa.
  5. Anote tudo o que entra e sai da empresa. Com a conta separada, fica fácil montar o fluxo de caixa: data, descrição, entrada e saída.

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Pró-labore: o seu salário como dona

Pró-labore é a remuneração de quem é dona da empresa e trabalha nela. A frase que eu mais repito para as empreendedoras é esta: o seu salário não é o que sobra no caixa.

  • Comece por um valor que a empresa consegue pagar com folga hoje.
  • Inclua o pró-labore nas despesas fixas, junto com aluguel e internet.
  • Revise a cada três ou seis meses.

O pró-labore tem regras de imposto e INSS que mudam conforme o tipo de empresa. Por isso, antes de definir o valor, converse com o seu contador.

Quer organizar a empresa inteira, não só o caixa?

Foi pensando nisso que eu escrevi, junto com um contador, o Guia Prático da Empreendedora: 15 capítulos em linguagem simples, exercícios, um plano de ação de 30 dias e 4 planilhas prontas.

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